Era um desses domingos de primavera, logo pela manhã eu já me encontrava na praça da Republica, aqui em São Paulo, palco de exposições de quadros, esculturas, artesanatos e uma infinidade incrível de pedras, cristais e suas belezas naturais.

Passando os olhos sobre algumas bancas, vi selos, moedas, dinheiro antigos e raros para vender, os colecionadores simplesmente se deliciavam, mas o que mais me chamou a atenção foi a de um velho, sentado no banco com seu pequeno álbum de selos em mãos.

Ele acabará de comprar um pequeno selo , ele abriu o álbum, puxou levemente a folha protetora, abriu o saquinho onde continha a sua preciosidade e com o auxilio de uma pequena pinça, ele simplesmente puxou o selo e o assentou em seu lugar de direito, ajeitou com um leve toque e como se uma brisa passasse, abaixou suavemente a película de proteção.

Em segundos pude presenciar algo simplesmente indescritível, ao mirar o álbum como se olhasse para um premio dourado, seus olhos simplesmente emitiram um brilho que há muitos anos não via , um brilho de ingenuidade, infância, de criança interior.

Aquilo me maravilhou e hoje parece que ainda sinto através de minha memória aquela sensação extraordinária que em segundos me contagiou, ele parecia como uma criança com seu álbum de figurinhas da copa, colando a ultima peça , a mais desejada, a melhor de todas.

Maravilhar-se, essa é a grande palavra, a maior de todas sensações.

Mas como tão pequena coisa podia causar um tremendo impacto desses?

– Não importava, o que importa é como podemos descobrir aquilo que nos entusiasma para a vida.

O entusiamo esta relacionado ao nosso processo de conhecer, de querer mais, de explorar, de aprender.

Naquele dia fui para casa totalmente maravilhado, nunca imaginaria que colecionar selos seria algo tão diferente do que minha percepção dizia.

Para mim colecionar selos era algo tedioso, mas depois de uma boa pesquisa , percebi que não é bem assim, selos tem tamanhos diferentes, tem rostos ou gravuras estampadas por um motivo, também as vezes poucos são impressos, no fundo você começa a pesquisar quem os inventou, porque aquela comemoração, porque são raros, enfim existe por detrás de cada selo, uma historia viva, uma referência, uma ideia guardada a ser saboreada.

Olhamos ao nosso redor e diante de tantas facilidades, como celular, computadores, fotografar a qualquer instante, e tantas outras coisas, e ainda assim não conseguimos nos maravilhar, não conseguimos acessar aquela nossa parte de explorar, desbravar o desconhecido e encher os olhos de vida.

Naquele dia, naquele momento em que pude presenciar um dos brilhos mais generosos, ingênuos e sublimes da vida, entendi que não há tempo para se maravilhar, não há motivo, não há nada, além de nossa grande vontade de buscar nas pequenas coisas o sabor de se viver intensamente,.

Se eu pudesse ter a ousadia de naquele instante me levantar e sentar-se ao lado daquele velho de olhos dourados, eu o faria e em suave tom diria apenas obrigado.

É hora de ir além, de transgredir as regras da ociosidade e buscar as infinitas e simples maravilhas da vida, esse é o meu convite à você hoje.



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